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CERATITES MICROBIANAS

8 de setembro, 2020

Trata-se de doença associada a episódios de enfraquecimento nos mecanismos de defesa da córnea. Alguns fatores podem propiciar o aparecimento dessa doença. Entre eles temos os traumas, uso de lentes de contato, alterações palpebrais, cirurgias corneanas, uso de corticoides tópicos, olho seco severo, ceratite neurotrófica e conjuntivites.

De todos esses, o mais frequente é o uso de lentes de contato, que precede as ceratites bacterianas em cerca de 19 a 42% das vezes. O risco aumenta em cerca de 10 vezes, quando o paciente dorme com as lentes.

Normalmente é necessário ocorrer uma lesão epitelial para penetração da bactéria no estroma corneano, contudo algumas são capazes de penetrar o epitélio íntegro; entre elas temos:

•  Bactérias capazes de invadir o epitélio íntegro: Neisseria gonorrhoeae, Listeria monocytogenes, Shigella sonnei, Neisseria meningitidis e Haemophilus sp. (Algumas fontes bibliográficas consideram o Corynebacterium diphteriae com tal capacidade.)

As demais bactérias somente produzem ceratite após ocorrência de comprometimento epitelial.

Quadro clínico
Normalmente o paciente apresenta algumas queixas logo que chega ao consultório.

Exemplos: sensação de corpo estranho, fotofobia, turvação visual, dor intensa, secreção, injeção conjuntival e perilímbica.

A análise biomicroscópica mostra ulceração epitelial, supuração estromal, com bordas não nítidas e edema estromal associado. Irite e hipópio podem ser encontrados. Nas úlceras decorrentes de pseudomonas, infiltrados inflamatórios de aspecto de vidro fosco podem ser encontrados em locais distantes da lesão, devido ao aumento das enzimas proteolíticas.

Algumas bactérias com menor virulência podem apresentar o epitélio intacto e infiltração corneana não supurativa, como no caso de anaeróbios, Mycobacterium e Nocardia.

Tratamento
Para o melhor tratamento ser realizado, a identificação do agente etiológico e sua sensibilidade aos antibióticos são extremamente necessárias. A coleta deve ser realizada com espátula de Kimura ou zaragatoa alginatada, na borda da lesão, e enviada para o laboratório com experiência nesse tipo de análise.

O tratamento tópico deve ser iniciado com quinolona de amplo espectro, principalmente em úlceras não graves. Essas ceratites apresentam as seguintes características: localização periférica, tamanho inferior a 2 mm, com afinamento inferior a 50% da espessura estromal.

O uso de antibióticos tópicos deve ser de 1 gota a cada hora, sendo uma dose de ataque implementada da seguinte forma: 1 gota de 1/1 minuto por 5 minutos, 1 gota a cada 5 minutos por 15 minutos e, em seguida, 1 gota de hora em hora. A redução deve ser feita para de 2/2 h, em até 72 horas, e após 2 a 3 dias, de 3/3 h até o final do tratamento.

No caso de ulcerações graves, o uso de colírio fortificado é mandatório. A mudança terapêutica deve seguir critérios clínicos e não apenas laboratoriais.

Nos casos de piora, mesmo com a instituição do tratamento, nova cultura deve ser realizada para identificação de novos micro-organismos. Em caso de culturas negativas, é preciso avaliar a realização de biopsia corneana e análise anatomopatológica.

Nos casos de perfuração corneana, ou descemetocele, terapêuticas cirúrgicas podem ser utilizadas, como cola, retalho conjuntival e membrana amniótica.

Ceratite microbiana: doença ocular que pode levar à cegueira – CENOE



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